quarta-feira, 15 de junho de 2011

Salaz

                                                            Quadro: Pino Daeni   
 

Chega de repente
como o que não quer nada
e quando eu vejo, já tomou conta
de todo o meu corpo!

Vem caminhando devagar
um frio...
Quando sem perceber começam
como brasas de uma fogueira
que nunca se apaga
dentro de mim.

E totalmente desnuda
por um olhar de volúpia,
seu olhar!
que já tomou conta de mim
e me constranges 
avassaladoramente,
de uma maneira terrívelmete:
concupiscente
e me constranges
calorosamente.

[...]

E te aceito como uma criança
que recebe um doce.
Nessas promessas veladas
que insistes em fazer.
Tristes promessas...

sábado, 11 de junho de 2011

Poema sem título - Paulo Leminski

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

Poema sem título - Paulo Leminski

Eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

Poema sem título - Viviane Mosé

acho que o ofício de ser gente me excessiva. pessoas são pessoas o tempo todo demais. ser gente me excessiva. gente me excessiva. e me falta.

Passa tempo



Ela que fica ali
sentada em um canto qualquer
esperando a próxima vez que retornará

Foi ela que te fez mais homem
Foi ela que te mostrou o mundo
o imenso mundo com suas luzes coloridas
com suas camas redondas
que rodam e rodam a te enfeitiçar

Ela que viu
o teu olhar de criança boba e assustada
Os teus choros e tuas mágoas
ela quem cuidou.

Mas o que ela na verdade é?
se não for agora
Não será jamais

Ela que agora se esconde da verdade!
que a deixaste esperando
enquanto vive o afago,
de um outro braço

Depois volta
e nessa sua lasciva
ela se desdobra novamente como se fosse a primeira vez
Ela se perde
Ela não encontra mais
a sua verdadeira identidade

Porque, agora, para ela
ela só passa...
e não passa disso...
Um passa para você.

Valéria Lima.

sábado, 2 de abril de 2011

Corre!Corre!


É, aqui. ta vendo? O quanto a felicidade é subjetiva? Esta me vendo? Estou te vendo! Talvez não esteja me vendo agora. Aqui! Engolfado nesse caos. Longínquo... Das águas que correm e cobrem tudo mais, nada sei... Nada sei de nada que andei, falei, pensei... E tudo mais! Como estão todas aquelas pessoas que se foram para nunca mais voltar?! Onde estão as pessoas que virão para nos ajudar? Eu, eu nada!!Você!! Claro que foi você! A culpa jamais seria minha por tudo que acontece... Paz! Só isso, será que é pedir muito? Pronto! Pode ir agora... esta livre desse babel construído por mim... Como pode não querer sair correndo antes que eu arranque seu coração pra mim?!!! Ou será que ja o fiz e nem percebi??... Influências, não escute as influências, não querem o seu bem, meu bem. Corre! Corre! Vá atrás da sua felicidade, porque te juro que ela é diferente da minha! Todo mundo passa, olha, olha, muda de lado, olha, pergunta, passa de novo e volta... Claro!! Todos querem saber o que é a tal da felicidade! Pronto, acabo de rir agora e me perguntam porque... Lógico! Todos querem essa tal felicidade! Risos e mais risos para provocar!!! Eu me divirto muitíssimo assim! O que eles não sabem e jamais saberão é que de tão subjetiva, chega a ser tênue e imperceptível! Cuidado! É tão mais simples, não complique, siga-me... Beba agora aquele seu velho Prozac e seja feliz assim se preferir... Que eu vou correr por ai... e ser da minha maneira..
.


(Valéria Lima)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vinicius de Moraes....


Acho que diz alguma coisa sobre mim... que eu nem sei bem o que é... sei lá!


Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

domingo, 27 de março de 2011


En la Punta del Trueno anduve
recogiendo sal en el rostro
y del océano, en la boca,
el corazón huracanado:
lo vi estallar hacia el cenit,
morder el cielo y escupirlo.
Pablo Neruda


[ Na Ponta do Trovão andei, recolhendo sal no rosto, e do oceano, na boca, o coração de vendaval: eu o vi estrondar até o zênite, morder o céu e cuspi-lo.]


Pablo Neruda, após uma violenta ressaca do mar que assolou a costa do Chile.